quinta, 20 de fevereiro de 2020


Qua, 12 de Fevereiro de 2020 12:02

O ‘comunista’ que quer ser presidente dos EUA

Bernie: extrema-esquerda Bernie: extrema-esquerda


Ele sai da vitória em New Hampshire como preferido da esquerda democrata. Os "moderados" se digladiam entre Buttiggieg, Bloomberg, o moribundo Biden e a azarã Klobuchar


Depois da vitória na primária de New Hampshire ontem, Bernie Sanders desponta como favorito a aglutinar os votos da ala mais à esquerda e anti-establishment do Partido Democrata. Duas questões se impõem:

  1. Com tantos candidatos na disputa, terá Sanders força para sair das prévias com maioria garantida na convenção de julho?
  2. Qual dos demais candidatos que tentam atrair eleitores tidos como “moderados” despontará como seu principal rival nas próximas semanas?

A resposta à primeira questão só ficará clara ao longo dos próximos meses. A corrida embolada faz aumentar a chance de uma “convenção disputada”, em que nenhum pré-candidato chega com maioria e são necessárias várias rodadas de votação até o partido escolher o candidato. Nas convenções disputadas, acabam prevalecendo conchavos e acordos de bastidores.

A última no Partido Democrata foi em 1952, em Chicago. Depois de três votações, foi escolhido um nome que nem se declarava candidato (na época não havia prévias): o govenador de Illinois, Adlai Stevenson (depois derrotado nas urnas pelo republicano Dwight Eisenhower). Stevenson ficara em segundo na primeira rodada e precisou de um empurrãozinho do presidente Harry Truman para sair vitorioso.

Em 1968, a convenção democrata, também em Chicago, só não foi disputada por causa do assassinato de Robert Kennedy durante as primárias na Califórnia. A violência policial para proteger os delegados dos protestos estudantis marcou aqueles dias mais que o nome escolhido, o ex-vice-presidente Hubert Humphrey. Em 1972, quando passou a funcionar o sistema de prévias em vigor até hoje, houve uma tentativa de invalidar delegados do vencedor, o senador George McGovern (depois derrotado nas urnas pelo presidente Richard Nixon).

Para evitar uma disputa decidida por conchavos, Sanders precisará reunir 1.990 dos 3.979 delegados eleitos nas prévias – os que votam na primeira rodada. Se não conseguir, outros 771 caciques partidários, conhecidos como “super-delegados”, terão o direito de votar a partir da segunda rodada. Ligados ao establishment, tenderão a apoiar qualquer outro nome que não Sanders, tido como um radical de esquerda e associado ao socialismo.

Até as duas prévias deste mês, a expectativa era que esse nome fosse o ex-vice-presidente Joe Biden. Em Iowa, ele chegou em quarto lugar, mas a confusão na apuração dos resultados serviu em parte para deixar a humilhação em segundo plano. Ontem Biden ficou em quinto. Os caucus de Nevada, daqui a 10 dias, e a primária da Carolina do Sul no fim do mês são as última chances de ele se mostrar viável.

Biden tem desabado nas pesquisas nacionais. Na Monmouth divulgada ontem, caiu 12 pontos, depois de perder 9 na Quinnipiac da véspera. Precisa dar uma resposta convincente a uma questão singela: como o candidato cuja campanha se baseia no estranho conceito de “elegilibilidade” – ele se diz o mais qualificado a derrotar Donald Trump – não convence nem os eleitores do próprio partido? Como o mais "elegível" pode amargar quarto e quinto lugares?

Fora Sanders, que mantém há anos um movimento mobilizado de seguidores, o candidato que tem demonstrado maior capacidade de atrair os eleitores é sem dúvida o prefeito Pete Buttigieg. Depois da vitória em Iowa e do segundo lugar em New Hampshire, menos de dois pontos atrás de Sanders, Buttigieg soma a maior quantidade de delegados (23 dos 65 distribuídos até agora, ante 21 de Sanders).

A corrida ainda está no começo, ele ainda precisa demonstrar ser capaz de obter bons resultados em estados com maior diversidade étnica e maior eleitorado negro. Mas já deixou Biden comendo poeira e é hoje o favorito a disputar a liderança nas primárias com Sanders.

A principal surpresa de ontem foi a senadora Amy Klobuchar, que ficou em terceiro, depois do desempenho arrasador no debate da última sexta-feira. Ela também corre na raia dos “moderados” com Biden e Buttigieg. Apesar de ter superado as expectativas e de ter um perfil que a torna capaz de derrotar Trump no estratégico Meio-Oeste, é difícil acreditar que tenha musculatura para manter o desempenho. Seu sucesso resulta mais da fraqueza de Biden que de força própria.

Quem sem dúvida tem musculatura é o bilionário Michael Bloomberg. Ele tem subido nas pesquisas e aparece encostado em Biden na Monmouth divulgada ontem. Bloomberg só estará nas cédulas a partir da Super-Terça, 3 de março, quando haverá 16 disputas e estará em jogo um terço dos delegados, em estados-chave como Califórnia e Texas. Ele tem investido pesado em propaganda para sair da Super-Terça como representante consensual da ala moderada. As pesquisas mostram que a campanha tem surtido efeito.

Com a raia “moderada” congestionada e indefinida entre Bloomberg, Buttigieg, o moribundo Biden e a azarã Klobuchar correndo por fora, Sanders logrou seu objetivo nas primeiras disputas: mostrar, com o derretimento da senadora Elizaabeth Warren, que corre sozinho na raia da “esquerda”. O próprio Trump disse ontem que preferiria enfrentar Bloomberg. Sanders, adversário que mais teme, “tem seguidores reais”. Desta vez, Trump disse uma verdade.(Com blogs políticos internacionais)




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